terça-feira, 15 de março de 2016

O valor econômico da mata ciliar



* Ecio Rodrigues
         Mediante a execução de projetos de restauração florestal, é possível ampliar a quantidade de biomassa presente na mata ciliar dos rios amazônicos, no intuito de direcionar-se a determinada finalidade o aproveitamento desse tipo especial de formação florestal.
A fim de se prevenirem desbarrancamentos, por exemplo, alguns pesquisadores indicam o cultivo de taboca nas margens dos rios. Trata-se de uma alternativa possível e que foi testada em várias localidades, todavia, não resolve a demanda relacionada a outros serviços que podem ser prestados pela mata ciliar.
Um desses serviços se refere ao incremento da qualidade e da quantidade da água que flui no leito do rio. Nesse caso, o caminho mais rápido e barato seria adensar a biomassa florestal por meio de projetos de restauração voltados para aumentar o número de árvores existentes na mata ciliar.
Contudo, considerando-se a largura mínima da faixa de mata ciliar exigida pelo Código Florestal – a qual, dependendo da envergadura do respectivo curso d’água, pode chegar a parcos 5 metros –, não dá para esperar que a floresta cumpra adequadamente a sua função.
Ou seja, diante da reduzida “Largura Legal” prevista na legislação, o mero aumento na quantidade de árvores não vai resolver a demanda por biomassa, na quantidade necessária para que a influência da mata ciliar no equilíbrio hidrológico do rio leve aos resultados esperados.
Uma solução para esse impasse é o alargamento da faixa de mata ciliar, mediante o cálculo do que se convencionou chamar “Largura Técnica” (em oposição à Largura Legal), de forma a se chegar a uma largura considerada ideal, de acordo com a realidade verificada ao longo da margem de um rio.
Trata-se, a Largura Técnica, de um preceito que certamente se configura tema prioritário para a pesquisa, e cujo cálculo, diferentemente do que acontece com a Largura Legal, não se baseia na largura do rio – mas, sim, nas condições físicas e biológicas presentes na área de influência da mata ciliar.
Sendo assim, para efeito de determinar as variáveis que vão contribuir para a definição da Largura Técnica de determinada faixa de mata ciliar, é necessária a avaliação pedológica e geológica de uma extensão de terra estimada em 2 km, contados no sentido perpendicular, ou seja, do barranco do rio pra cima, em direção à terra firme.
Mas como a Largura Técnica não é um imperativo legal, é importante que o produtor que optar por essa solução obtenha algum tipo de compensação econômica.
Por outro lado, e reforçando a máxima de que o produtor só vai investir no que lhe trouxer algum tipo de retorno econômico, o valor auferido com o aproveitamento da mata ciliar deve ser compatível com os rendimentos propiciados pela pecuária. Significa dizer que as receitas geradas com o aproveitamento dum trecho de mata ciliar devem ser pelo menos compatíveis com o que o produtor ganharia mediante o desmatamento de uma área equivalente para a criação de boi.
Enfim, o ponto é: quanto maior a quantidade de biomassa florestal existente na mata ciliar, maiores serão os benefícios em relação à quantidade e à qualidade da água que corre no rio. Tanto no que concerne à largura da faixa quanto no que diz respeito à densidade arbórea, o aumento da biomassa otimiza a oferta de água. Portanto, trata-se de um serviço ofertado pela mata ciliar e, nessa condição, deve ser remunerado.
O pagamento por esse serviço deve ficar a cargo sobretudo das operadoras responsáveis pelo abastecimento d’água em áreas urbanas e pelas empresas envolvidas com o uso agropecuário da água para dessedentação de gado.
Mas esse pagamento, hoje, é mais que ilusão, é utopia. Pior, no médio prazo de 10 anos também não vai acontecer.  

*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Cacau Nativo RESEX Chico Mendes

O Manejo Comunitário de Cacau Nativo, vem se consolidando na Amazônia como mais uma fonte de renda solida para aqueles que reside e sobreviver dos recursos que a floresta disponibiliza. A Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre com o apoio da Associação Andiroba, Funbio e ICMBio vem desenvolvendo pesquisas dentro da RESEX Chico Mendes com a implementação de tecnologias que possam ser aplicadas na melhoria das condições de vida dos extrativistas. No dia 28 de janeiro de 2016 na Universidade Federal do Acre, ocorreu a defesa da monografia do Geovane Filho, com a orientação do Prof. Dr. Ecio Rodrigues e Co-orientador Engenheira Florestal Msc. Kamilla Andrade, onde apresentou resultados dos estudos realizadas na RESEX Chico Mendes. A banca examinadora em sua composição contou com a participação do Eng. Florestal, Porf. Dr. Ecio Rodrigues da Silva, Porf. Dr. Thiago Augusto da Cunha e o Engenheiro Florestal Edivan Lima.

segunda-feira, 7 de março de 2016

Pagar para a floresta amazônica produzir água é o caminho



* Ecio Rodrigues
Cabe ao governo, nas três esferas de gestão (municipal, estadual e federal) a promoção de um modelo de ocupação produtiva que leve em conta, sobretudo em regiões como a Amazônia, as externalidades sociais e ambientais decorrentes da implantação de cada tipo de empreendimento.
Para obrigar os empreendimentos a internalizar as externalidades, em especial as que afetam a sustentabilidade da região, a ação estatal dispõe de mecanismos que podem ser classificados em dois grandes grupos: comando/controle e poluidor/pagador.
São inerentes ao comando/controle ações relacionadas ao exercício do poder de polícia – como autuação e cominação de multas – e que se destinam a punir as infrações decorrentes dos impactos causados pelas externalidades, notadamente as relacionadas à qualidade da água, do ar e à conservação das florestas.
Um bom exemplo desse tipo de atuação estatal é o caro e ineficiente aparato público destinado à fiscalização do desmatamento. Todas as vezes que um fiscal autua um produtor por desmatamento, espera-se que a produção agropecuária fique mais próxima dos requisitos de sustentabilidade.
No entanto, estudos recentes informam que – por uma série de razões, que vão de anulação de multas por ilegalidades a cobranças ineficientes – mais de 90% do valor das multas não é recolhido pelos infratores.
Sem embargo, e embora a fragilidade do sistema de comando/controle seja facilmente comprovada pelas estatísticas, a sociedade brasileira apoia a fiscalização de maneira geral, e não leva em conta nem os elevados custos dessa atividade nem tampouco sua ineficácia.
Passar do comando/controle para o poluidor/pagador exige criatividade e vontade política. Criatividade, pois, como o sistema do poluidor/pagador se assenta em mecanismos direcionados para taxar as atividades que poluem e recompensar as que não poluem, o cardápio disponível para o gestor público é longo e variado, abrangendo da oferta de crédito mais barato para atividades e empreendedores que contribuem para a sustentabilidade até o aumento do valor da taxa de licenciamento para o desmatamento legalizado.
É nesse contexto que se insere o instrumento denominado Pagamento por Serviços Ambientais, PSA – pelo qual o Estado, de alguma maneira, se compromete a premiar o empreendedor pela oferta de determinado serviço ambiental.
No caso, por exemplo, de um produtor ribeirinho que se dispusesse a manejar uma porção de mata ciliar para contribuir com o fornecimento de água a uma população localizada à jusante de sua floresta, ele poderia vir a ser remunerado, via sistema PSA
Todavia, a despeito de suas manifestas vantagens, ainda não existe na Amazônia um sistema de PSA em funcionamento – quer dizer, um sistema envolvendo um fluxo contínuo e permanente de dinheiro destinado pelos governos aos produtores, como remuneração por algum tipo se serviço ambiental.
Além do PSA, como dito, há diversos outros instrumentos inseridos no princípio do poluidor pagador que podem ir além do modelo de comando e controle – esse sim, com fragilidades comprovadamente insuperáveis.
Enfim, autuar, multar e cobrar não parece ser a nossa vocação. Melhor premiar.             


*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Rondônia terá usina de biomassa de eucalipto para gerar energia a 40 mil pessoas




4 de março de 2016


A entrada em operação, no próximo semestre, de uma usina termelétrica movida a biomassa, na região de Pimenta Bueno, deve impulsionar a plantação de floresta de eucalipto, a principal matéria-prima. A usina terá capacidade de abastecer com energia elétrica uma cidade de aproximadamente 40 mil habitantes.
“Precisamos formar um cinturão verde num raio de 100 quilômetros para converter a madeira em fonte de combustão para a usina”, disse o gerente Operacional Geferson Melo, da usina hidrelétrica Eletrogóes, a proprietária da usina de biomassa que gera 60 empregos diretos nesta fase final de implantação.
A consolidação do projeto da usina de biomassa está diretamente relacionada à produção de eucalipto. O grupo empresarial pesquisa, há oito anos, em um viveiro-laboratório próprio, a melhor espécie do eucalipto a ser destinada na utilização da usina.
“Já estudamos mais de 200 matrizes e chegamos ao padrão ideal de madeira para ser utilizado na usina”, informou o engenheiro florestal, Carlos Alberto Soares Monteiro, que considera também nas pesquisas o cultivo no solo arenoso da região e os valores agregados com a plantação. O viveiro é capaz de produzir seis milhões de mudas/ano, que são comercializadas a preço de mercado para o produtor rural.
Para produzir energia, as geradoras utilizam a combustão de material orgânico. Entre estas fontes de orgânicas, a madeira do eucalipto foi escolhida por conta da viabilidade sustentável da produção em Rondônia. A energia gerada a partir da biomassa é renovável e menos poluente dos que outras formas de energia como os combustíveis fósseis petróleo e carvão mineral. Na região, a madeira do plantio de eucalipto tem destinação certa: a usina de biomassa.
“Chamamos de floresta energética essa fonte de energia renovável e de geração de emprego e renda”, argumentou Geferson Melo, enfatizando que o momento é propício para os pequenos e grandes produtores plantarem eucalipto.
Floresta Plantada
O governo de Rondônia adotou políticas públicas para incentivar a plantação de floresta, seja ela de espécie nativa ou exótica. “Todo o plantio, extração e comercialização da madeira proveniente de floresta plantada estão amparados por legislação própria”, disse o coordenador de Floresta Plantada da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), o engenheiro florestal Edgard Menezes Cardoso.
Fonte: Secretaria de comunicação do governo de Rondônia

quarta-feira, 2 de março de 2016

SFB faz 10 anos e se consolida como referência florestal


 
O órgão é responsável pela gestão das florestas públicas e nos últimos anos assumiu o desafio de capitanear a implantação do Código Florestal
 
O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) completa, neste dia 02/03, dez anos de existência. A instituição, que é vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, vem, desde 2006, se consolidando com uma referência na missão de harmonizar o uso econômico sustentável das florestas com a conservação e recomposição deste valioso patrimônio nacional.
 
A ampliação das concessões florestais, o fortalecimento do manejo florestal comunitário e a realização do Inventário Florestal Nacional estão entre as mais significativas conquistas do SFB ao longo destes anos. Em 2014, a missão do órgão foi ampliada com a atribuição de gerir o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) e capitanear a implantação do Código Florestal.
 
“Temos muito a comemorar, a consolidação da instituição como órgão gestor e de referência florestal dentro do Governo Federal, focando-se nas concessões florestais empresariais, no manejo florestal comunitário e no Inventário Florestal Nacional”, afirmou o diretor geral do SFB, Raimundo Deusdará Filho.
 
“Além disto, estamos promovendo o Cadastro Ambiental Rural e os programas de recomposição e regularização ambiental, como um órgão catalisador da implementação do novo Código Florestal”, completou.
 
Deusdará acredita que, com visibilidade alcançada pelo CAR, a tendência é de que o Serviço Florestal Brasileiro seja cada vez mais ativo na agenda política do governo.
 
O Serviço Florestal Brasileiro
 
Criado pela Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei no 11.284/06), o SFB tem a missão de promover o conhecimento, o uso sustentável e a ampliação da cobertura florestal, tornando a agenda florestal estratégica para a economia do país.
 
O SFB é dirigido por um Conselho Diretor, composto por um diretor geral e quatro diretores. O quadro de pessoal é constituído por meio da realização de concursos públicos ou da redistribuição de servidores de órgãos e entidades da administração federal direta, autárquica ou fundacional.
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Fonte:
Contato para Imprensa
Serviço Florestal Brasileiro
Assessoria de Comunicação
(61) 2028-7130/7155
imprensa@florestal.gov.br