sexta-feira, 4 de março de 2016

Rondônia terá usina de biomassa de eucalipto para gerar energia a 40 mil pessoas




4 de março de 2016


A entrada em operação, no próximo semestre, de uma usina termelétrica movida a biomassa, na região de Pimenta Bueno, deve impulsionar a plantação de floresta de eucalipto, a principal matéria-prima. A usina terá capacidade de abastecer com energia elétrica uma cidade de aproximadamente 40 mil habitantes.
“Precisamos formar um cinturão verde num raio de 100 quilômetros para converter a madeira em fonte de combustão para a usina”, disse o gerente Operacional Geferson Melo, da usina hidrelétrica Eletrogóes, a proprietária da usina de biomassa que gera 60 empregos diretos nesta fase final de implantação.
A consolidação do projeto da usina de biomassa está diretamente relacionada à produção de eucalipto. O grupo empresarial pesquisa, há oito anos, em um viveiro-laboratório próprio, a melhor espécie do eucalipto a ser destinada na utilização da usina.
“Já estudamos mais de 200 matrizes e chegamos ao padrão ideal de madeira para ser utilizado na usina”, informou o engenheiro florestal, Carlos Alberto Soares Monteiro, que considera também nas pesquisas o cultivo no solo arenoso da região e os valores agregados com a plantação. O viveiro é capaz de produzir seis milhões de mudas/ano, que são comercializadas a preço de mercado para o produtor rural.
Para produzir energia, as geradoras utilizam a combustão de material orgânico. Entre estas fontes de orgânicas, a madeira do eucalipto foi escolhida por conta da viabilidade sustentável da produção em Rondônia. A energia gerada a partir da biomassa é renovável e menos poluente dos que outras formas de energia como os combustíveis fósseis petróleo e carvão mineral. Na região, a madeira do plantio de eucalipto tem destinação certa: a usina de biomassa.
“Chamamos de floresta energética essa fonte de energia renovável e de geração de emprego e renda”, argumentou Geferson Melo, enfatizando que o momento é propício para os pequenos e grandes produtores plantarem eucalipto.
Floresta Plantada
O governo de Rondônia adotou políticas públicas para incentivar a plantação de floresta, seja ela de espécie nativa ou exótica. “Todo o plantio, extração e comercialização da madeira proveniente de floresta plantada estão amparados por legislação própria”, disse o coordenador de Floresta Plantada da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam), o engenheiro florestal Edgard Menezes Cardoso.
Fonte: Secretaria de comunicação do governo de Rondônia

quarta-feira, 2 de março de 2016

SFB faz 10 anos e se consolida como referência florestal


 
O órgão é responsável pela gestão das florestas públicas e nos últimos anos assumiu o desafio de capitanear a implantação do Código Florestal
 
O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) completa, neste dia 02/03, dez anos de existência. A instituição, que é vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, vem, desde 2006, se consolidando com uma referência na missão de harmonizar o uso econômico sustentável das florestas com a conservação e recomposição deste valioso patrimônio nacional.
 
A ampliação das concessões florestais, o fortalecimento do manejo florestal comunitário e a realização do Inventário Florestal Nacional estão entre as mais significativas conquistas do SFB ao longo destes anos. Em 2014, a missão do órgão foi ampliada com a atribuição de gerir o Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) e capitanear a implantação do Código Florestal.
 
“Temos muito a comemorar, a consolidação da instituição como órgão gestor e de referência florestal dentro do Governo Federal, focando-se nas concessões florestais empresariais, no manejo florestal comunitário e no Inventário Florestal Nacional”, afirmou o diretor geral do SFB, Raimundo Deusdará Filho.
 
“Além disto, estamos promovendo o Cadastro Ambiental Rural e os programas de recomposição e regularização ambiental, como um órgão catalisador da implementação do novo Código Florestal”, completou.
 
Deusdará acredita que, com visibilidade alcançada pelo CAR, a tendência é de que o Serviço Florestal Brasileiro seja cada vez mais ativo na agenda política do governo.
 
O Serviço Florestal Brasileiro
 
Criado pela Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei no 11.284/06), o SFB tem a missão de promover o conhecimento, o uso sustentável e a ampliação da cobertura florestal, tornando a agenda florestal estratégica para a economia do país.
 
O SFB é dirigido por um Conselho Diretor, composto por um diretor geral e quatro diretores. O quadro de pessoal é constituído por meio da realização de concursos públicos ou da redistribuição de servidores de órgãos e entidades da administração federal direta, autárquica ou fundacional.
​
Fonte:
Contato para Imprensa
Serviço Florestal Brasileiro
Assessoria de Comunicação
(61) 2028-7130/7155
imprensa@florestal.gov.br

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Bolivianos não querem mais do mesmo




* Ecio Rodrigues
Pode ser que o inusitado resultado do plebiscito realizado na Bolívia no último domingo, dia 21 de fevereiro, não reforce a tese de que uma profunda guinada no panorama político está em curso na América do Sul; por outro lado, pode ser que reforce, sim.
Para explicar. O resultado foi considerado inusitado por estudiosos e cientistas políticos e, inclusive, pelo governo boliviano. Perguntados se aceitavam mudar a Constituição de seu país para permitir que o atual presidente concorresse a uma nova eleição presidencial em 2019, 51,31% dos bolivianos disseram “Não”, contra 48,69% que votaram pelo “Sim”.
Duas questões chamam a atenção nessa consulta. A primeira diz respeito à precocidade de sua realização. Ora, se o presidente permanecerá no exercício do seu mandato até o início de 2020, por que razões indaga – já agora, em 2016 – se poderá disputar as próximas eleições, a fim de continuar no cargo até 2025?
Certamente existem várias respostas para essa pergunta, todavia, é provável que a razão principal esteja no que os sociólogos chamam de “realidade objetiva”.
Na conjuntura boliviana, essa realidade se traduz numa aprovação recorde do governo atual – em face, sobretudo, dos números apresentados pela economia, considerados prodigiosos.
Diferente do que acontece no vizinho Brasil, o PIB da Bolívia cresceu a uma taxa média de 4,8% nos últimos dez anos. Mais relevante ainda, a concentração de renda reduziu, e as camadas menos favorecidas da população receberam um expressivo aporte de ajuda por meio de programas sociais, muitos dos quais copiados do vizinho.
O momento parecia mais que oportuno para fazer a consulta, uma vez que a estratégia era não correr risco de derrota. No entanto – e felizmente – os bolivianos, demonstrando incomum discernimento político, conseguiram separar os indicadores econômicos de um importantíssimo princípio democrático (especialmente no caso do contexto latino-americano): a alternância de poder.
Poucos se dão conta, mas juntamente com transparência na gestão e participação popular, a alternância de poder constitui um dos pilares que sustentam o tripé do sistema democrático.
Claro que a importância e imprescindibilidade da alternância de poder não aludem, exclusivamente, a circunstâncias como a da Bolívia, em que um indivíduo manipula as regras democráticas para se manter na presidência, não admitindo que outro candidato, ainda que do mesmo partido, assuma o governo do país.
Também dizem respeito a situações em que um mesmo grupo político permanece por longo tempo no poder – malgrado o fato de que, a cada eleição, uma cara nova é lançada à escolha dos eleitores, fazendo valer o indefectível jargão cunhado pelos marqueteiros: “mais do mesmo”.
Citando-se o caso da Argentina, a alternância de poder naquele país se traduziu, em última análise, numa guinada para outro modelo econômico e político, mais focado na eficiência na aplicação dos recursos públicos, e avesso ao populismo que caracterizava o governo anterior.
Na Venezuela, por sua vez, desde as últimas eleições o parlamento não é mais dominado pelo mesmo grupo que comanda o governo federal há quase 20 anos.
Enfim, conquanto não tenha sido essa a intenção, é provável que os bolivianos tenham reforçado o recado já dado pelos argentinos e venezuelanos, o de que um novo modelo econômico e político está por vir.
Vamos esperar que esse novo modelo também chegue por aqui.

*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A bolsa e a madeira




* Ecio Rodrigues
Embora a notícia tenha passado despercebida pela imprensa, que geralmente prefere divulgar as improfícuas e espalhafatosas investidas em fiscalização realizadas pelos órgãos de monitoramento ambiental, é bem provável que o mercado ilegal de madeira na Amazônia tenha sofrido seu mais duro golpe.
Numa inusitada saída encontrada pelos próprios agentes econômicos que operam no mercado de madeira serrada (para quem não sabe, “mercado” é uma entidade costumeiramente demonizada pelos ambientalistas ortodoxos e pouco informados) parece estar a solução para encerrar um ciclo interminável de produção e consumo de madeira extraída de forma ilegal na Amazônia.
Antes de continuar, é preciso esclarecer um ponto importante. Há uma confusão temerária que se faz entre a madeira legalizada e a madeira extraída sem atender às rigorosas prescrições de manejo desenvolvidas pela ciência florestal brasileira para a Amazônia nos últimos 40 anos.
Quer dizer, a extração ilegal de madeira com certeza não se dará sob a tecnologia de manejo florestal – causando, portanto, estragos perigosos para a conservação da floresta explorada. Todavia, e é aqui que mora o perigo, madeira legalizada não é sinônimo de madeira manejada. Se a madeira for oriunda de um desmatamento legalizado (uma área destinada a pastagem, p. ex.), essa madeira é legal, independentemente de ser manejada.
Enfim, a distinção crucial a ser feita é que no mercado legalizado de madeira serrada amazônica existem 3 produtos diferentes, com valores de venda igualmente diferenciados e, o mais importante, cuja exploração causa consequências significativas para a sustentabilidade da floresta.
A madeira legalizada mas não manejada é a menos valorizada e funcionaria como primeiro degrau para o empresário do setor chegar à produção de madeira manejada.
Na condição de produto superior, a madeira manejada, por sua vez, possui maior preço de mercado, em face da garantia de uma produção permanente e sustentável do ponto vista ecológico, que conserva as relações entre as espécies presentes na floresta.
Embora não existam dados sobre o processo de maturação do mercado de madeira certificada, pode-se dizer que a madeira certificada é o produto final e mais valorizado da cadeia produtiva da madeira serrada, pois o selo comprova que a exploração ocorreu com aplicação da técnica de manejo e respeito às regras trabalhistas, entre outras exigências do certificador. No âmbito da Amazônia, o procedimento de certificação mais reconhecido e valorizado é o promovido pelo FSC (Forest Stewardship Council).
Voltando ao duro golpe sofrido pelo comércio ilegal de madeira serrada amazônica, a partir deste ano, 2016, a Bolsa de Valores Ambientais, que integra o Instituto BVRio, passará a negociar lotes de madeira legalizada.
Para assegurar a legalidade da madeira a ser comprada por interessados mundo afora, foi organizado um complexo sistema de cruzamento de informações, que inclui bancos de dados sobre produtores e empresas transportadoras, rastreia autuações aplicadas pelo Ibama e até consulta (via Renavan) o registro de veículos utilizados no transporte.
Espera-se que a Bolsa de Valores logre fazer o que a fiscalização estatal não é capaz: expandir o mercado de madeira legalizada na Amazônia.

*Professor Associado da Universidade Federal do Acre, engenheiro florestal, especialista em Manejo Florestal e mestre em Política Florestal pela Universidade Federal do Paraná, e doutor em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília.